EDUCAÇÃO FÍSICA DO PROFESSOR WILLIAM PEREIRA

Este blog é a continuação de um anterior criado pelo Professor William( http://wilpersilva.blogspot.com/) que contém em seus arquivos uma infinidades de conteúdos que podem ser aproveitados para pesquisa e esta disponível na internet, como também outro Blog o 80 AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA (http://educacaofisica80aulas.blogspot.com/ ) que são conteúdos aplicados pelo Professor no seu cotidiano escolar.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Newsletter da Saúde

Newsletter da Saúde


O tratamento conservador através da atividade física na hérnia de disco lombar

Posted: 20 Feb 2013 05:38 AM PST


    Admite-se que 80% da população mundial adulta têm ou terão lombalgia, 30 a 40% desta população apresentam de forma assintomática hérnia de disco lombar (Ortiz, 2000) e 2 a 3% já estão acometidos pelo sintoma desta patologia, cuja prevalência acima dos 35 anos é de 4,8% no universo masculino e 2,5% no feminino. A idade média para o aparecimento da primeira crise de dor é de aproximadamente 37 anos, sendo que em 76% dos casos há antecedente de dor lombar uma década atrás (Negrelli, 2001).

    No Brasil, a repercussão econômica destes dados fez com que as lombalgias se tornassem a 1ª causa de pagamento de auxílio doença e a 3ª causa de aposentadoria por invalidez (Fernandes, 2000). Embora os dados epidemiológicos atinjam indiscriminadamente as diversas camadas sociais, poucos têm acesso aos tratamentos cirúrgico-evasivos ou minimamente evasivos.

    Já o tratamento conservador, além do baixo custo, tem obtido os melhores resultados. Quando um indivíduo que adquiriu hérnia de disco lombar minimiza seu quadro clínico de dor, através da atividade física, ele está sendo grandemente beneficiado: primeiramente, pelo fato de não correr os riscos pertinentes de toda cirurgia de coluna, além de não apenas tratar o disco enfermo, mas também aprimorar a flexibilidade, melhorar a condição cardio-respiratória e, talvez, abrandar crises recidivas. Mas, quando a dor não apresentar retrocesso após quatro a seis semanas deste tratamento, recomenda-se intervenção cirúrgica, o quê significa menos de 10% dos casos (Ortiz, 2000).

    Este artigo tem por objetivo realizar uma revisão sobre as definições mais recentes sobre hérnia de disco lombar, procura resumir as pesquisas de maior relevância que optaram por utilizar o tratamento conservador, aborda a questão do comportamento sedentário para o crescimento desta enfermidade e mostra a importância da atividade física para a recuperação nestes indivíduos sintomáticos. Acredita-se também, que seja de fundamental importância descrever quais foram às investigações que obtiveram reabsorção do núcleo pulposo através do tratamento conservador.


Material e Métodos

    Foram referendados 30 artigos pertinentes ao tema proposto das seguintes bases de dados: Medline, Bireme, Lilacs e os periódicos da Capes, principalmente a revista Spine. O idioma pesquisado foi o português, espanhol e o inglês.

    Os artigos mais antigos foram citados por se tratarem de clássicos da anatomia e biomecânica. Posteriormente eles tiveram suas comprovações validadas, a partir de outras investigações com exames de imagem do tipo: Tomografia Computadorizada (TC) e Imagem de Ressonância Magnética (IRM). Tais procedimentos nos encorajam à realização de futuras pesquisas com indicativos de exames clínicos, uma vez que no Brasil o acesso ao diagnóstico por imagem ainda é bastante restrito para algumas camadas sociais.

    De acordo com Pereira, 1997, os métodos utilizados nas bibliografias publicadas com tratamento conservador, foram: Coortes de dez anos (Weber,1983 e Fraser,1997), Ensaio Clínico Randomizado (Mcilveen,1998/ Landridg,1988/ Smit,1991/ Pecar,2003/ Saal,1990/ Onel,1989 e Kawaji,2001) e um Estudo Transversal de Fahrmi,1975. A amostra na maioria dos estudos foi de conveniência e o grau de confiança da técnica empregada estava dentro do padrão estatístico aceitável.


Homo eretus X Homo "sentadus"

    Desde a primeira descoberta reconhecida de registro fóssil humano, na África há 50 milênios, o DNA mitocondrial de grupos étnicos diversos indicam que a constituição genética de mulheres e homens quase não mudou, apesar das enormes mudanças de sociedade associadas à agricultura e industrialização (Vigilant, 1991 e Wilson, 1992).

    A fisiologia da obtenção de energia e o seu dispêndio continuam sendo o mesmo desde a idade da pedra. Porém, o equilíbrio desta relação vem sendo dissociado das tarefas diárias, ou seja, o dispêndio de energia através da atividade física, para a maioria dos indivíduos, tornou-se uma atividade extraordinariamente separada do cotidiano, engajando-se especificamente ao aprimoramento de resistência, força e flexibilidade, em contraste com o esforço físico diário que nossos antepassados suportavam para que houvesse a perpetuação da nossa espécie (Cordain, 1998).

    Verdadeiramente, o homem dependia de suas habilidades psico-motoras para sua sobrevivência alimentar. Hoje ele alcança tais objetivos através de atitudes que requerem uma capacidade cognitiva bem superior às suas destrezas motoras primitivas, priorizando cada vez mais comportamentos estáticos e sedentários. Basta que observemos os trabalhadores de escritório dos dias de hoje: eles permanecem em média 6 horas diárias sentados (com pequenas pausas), numa jornada de 40 horas semanais. Isso significa que, ao final de 35 anos de trabalho, é como se eles estivessem 6 anos ininterruptos sentados sobre uma cadeira, quase que inertes do ponto de vista motor.

    Há três décadas, Fahrmi (1975) estudou uma população de uma floresta na Índia que se agachava ao invés de sentar, dormindo no chão ao invés de camas. Essas pessoas não tinham qualquer conceito de orientação postural, mas tinham incidência zero de dor lombar. Além disso, as radiografias da coluna lombar em 450 desses indivíduos, com idade entre 15 e 44 anos, não mostraram qualquer incidência de estreitamento de disco intervertebral.

    O problema da posição sentada em relação à posição em pé é que a curvatura anatomicamente funcional da lordose lombar diminui, em média, 50% nos segmentos L11-L22, L22-L33, L13-L44, L44-L55, L55-S11 e L11 a S11. (Lord, 1997). Biomecanicamente, a harmonia das curvaturas da coluna vertebral é descrita de acordo com a seguinte fórmula: Nc2 +1 = X, onde Nc = número de curvaturas na coluna vertebral (Kapandji, 1987). Isso significa que quando um indivíduo submete-se a horas e horas sentado, ele poderá comprometer e expor estruturas de tecidos moles, que foram anatomicamente projetadas para aquele fim, como os discos intervertebrais.


Disco Intervertebral

    A menor unidade funcional em movimento da coluna é composta por um par de vértebras adjacentes, duas articulações sinoviais (zigoapofiseas ou zigopofisárias) e o seu correspondente complexo disco-ligamentar (Wilsel, 1996). O disco está localizado entre todas as vértebras funcionais (exceto C1 e C2) e disposto em quatro camadas, que serão descritas num plano sagital: a mais externa composta por uma densa lâmina de colágeno, a intermediária (de fibrocartilagem), uma zona de transição e o núcleo pulposo, sendo que na face posterior do disco, as lâminas são mais finas e menos numerosas (Humphreys, 1999), esse é um dos fatores que justificam as hérnias discais posteriores serem bem mais comuns que as anteriores.

    Devido à sua estrutura avascular, o disco recebe seus nutrientes por difusão passiva, ou seja, quando ele está sob compressão, tende a perder água e absorver sódio e potássio, até que sua concentração eletrolítica interna seja suficiente para prevenir uma maior perda de água. Uma vez obtido este equilíbrio químico, a pressão interna do disco é igual à pressão externa. O fenômeno doloroso vertebral está diretamente relacionado com níveis de: oxigênio, quantidade de hidrogênio e o pH do tecido discal. Quanto menos a concentração de oxigênio, maior a concentração de hidrogênio e, conseqüentemente, menor será o pH discal e maior a intensidade de dor (Holm, 1981 e Nachemson, 1992).

    Esta dinâmica de bombeamento remove os produtos metabólicos, similarmente ao sistema circulatório nas estruturas vasculares, mas a permanência do indivíduo em uma posição estática por longo período afeta a integridade funcional do disco, ocasionando uma possível desidratação. Mas, se for retirada a carga estática da coluna, o disco tenderá a se normalizar. Depois de certo tempo, já na velhice, o disco não mais se recuperará devido às cargas e descargas por tempo prolongado (Kapandji, 2000).

    Um disco saudável, ao receber uma determinada carga axial consegue suportar 75% desta força no núcleo pulposo e o restante no anel fibroso. A partir da segunda década da vida, pode-se encontrar alguma diminuição na capacidade do disco em absorver impactos e pressões, em razão de (Nerlich, 1997):

  • progressiva desidratação;

  • surgimento de fissuras;

  • diminuição de sua altura;

  • predisposição genética;

  • alterações bioquímicas;

  • alterações ambientais.


Hérnia Discal Lombar

    A hérnia de disco consiste na migração do núcleo pulposo com fragmento do anel fibroso para fora de seus limites funcionais, podendo ser (Cecin, 2000):

  • Protrusas, quando a base de implantação sobre o disco de origem é mais larga que qualquer outro diâmetro;

  • Extrusas, quando a base de implantação sobre o disco de origem é menor que algum dos seus outros diâmetros ou quando houver perda no contato do fragmento com o disco.

  • Seqüestradas, quando um fragmento migra dentro do canal, para cima, para baixo ou para o interior do forâmen.

    Em relação à integridade do ligamento longitudinal posterior da coluna, as hérnias extrusas podem ser contidas e não-contidas, apresentando ou não migração crânio-caudal. Esta relação também deve ser descrita no plano transversal, podendo ser caracterizada como (Hennemann,1994):

  • Póstero-mediana ou central, que geralmente se manifesta por lombalgia aguda, eventualmente com irradiação.

  • Para-mediana ou centro-lateral, que pode comprometer a raiz transeunte ou a raiz emergente.

  • Foraminal, que compromete a raiz emergente.

  • Extra-foraminal ou póstero-lateral, que compromete a raiz superior, pois o trajeto das raízes lombares é obliquo.

    Hennemann,1994, chama a atenção para a importância de correlacionar os achados de imagem com os dados clínicos, para a correta localização da hérnia.


Tratamento Conservador

    O primeiro tratamento conservador da história para hérnia de disco foi preconizado por Hipócrates há mais de 400 a.C., estando registrado em forma de gravura. "Tal tratamento consistia em pendurar o paciente de cabeça para baixo, encostado numa escada por 40 dias e, nessa posição, ele deveria se alimentar, dormir, etc. Tratava-se de uma tração por gravidade" (Bezerra, 2003).

    Atualmente, o tratamento conservador vem apresentando bons resultados em cerca de 80 a 90% dos indivíduos com hérnia discal lombar, devendo ser usado por um período de 4 a 6 semanas. Caso o indivíduo obtenha pequena, mas progressiva melhora, o tratamento cirúrgico deverá ser postergado. Weber (1983) demonstrou que resultados de pacientes operados e não operados são bastante parecidos após dez anos, sendo que os operados obtiveram melhora significativa no primeiro ano pós-cirúrgico. Fraser, 1995, corroborou com estes dados, ao reavaliar 56 pacientes com exames de IRM e TC, dez anos depois a que foram expostos a intervenções evasivas e não-evasivas, com o objetivo de estudar as mudanças morfológicas de longo prazo. Os seus achados foram consistentes e semelhantes aos de Weber.

    Hennemann (1994) dividiu o tratamento conservador em 3 fases:

  • Fase Aguda, com repouso absoluto por 3 dias na posição mais confortável e uso de anti-inflamatório;

  • Fase Pós-Aguda, com técnicas fisioterápicas do tipo Willian (1979) e Mackenzie (1981).

  • Fase Tardia, em que o paciente apenas apresenta desconforto com a manutenção da elasticidade e tônus muscular associada aos cuidados posturais.

    Quanto ao tipo de exercício, os de flexão estão sumariamente contra-indicados nas hérnias discais agudas e nas protrusões discais difusas acentuadas, com dor grave e canal estreito. Já os de extensão estão indicados nas protrusões difusas e focais do disco, fora do período agudo doloroso, com cuidados especiais em caso de artrose zigapofisária. (Van Tulder, 2000).

    Entende-se que os exercícios de fortalecimento dos músculos vertebrais na fase tardia (flexão, extensão e abdominais), melhoram a nutrição do disco, por aumentarem a difusão passiva de oxigênio e diminuir a concentração de hidrogênio, pois levariam a uma diminuição da dor nos processos patológicos mecânico-degenerativos da coluna lombar (Cecin, 2000).

    Outro tratamento conservador de grande importância, denominado Método Práxis (medicina física e reabilitação clínica), incluiu 1.431 pacientes com hérnia discal lombar no período de 1996 a 2000, diagnosticados por CT e IRM. A média de idade foi de 49,95 anos e apenas 58 indivíduos (ou 4,05%) foram submetidos à operação. Os melhores resultados do estudo foram alcançados com 567 indivíduos com hérnias em L4/L5 sem deficiência motora e média de tratamento de 24,38 dias. O tratamento mais longo foi para os pacientes com hérnias em L5/S1 com desordem motora e média de 43,10 dias (Pecar, 2003).

    O tratamento conservador em ambiente aquático também vem sendo aplicado e estudado em indivíduos com lombalgias e lombociatalgias. Cordeiro (2003), realizou revisão de literatura a respeito da eficácia destes procedimentos e os achados mais relevantes foram: (Mcilveen,1998), estudou de forma randômica pacientes com lombalgia e lombociatalgia por degeneração óssea e discal na coluna. Após 4 semanas, com sessões de 60 minutos cada 2 vezes por semana, os pacientes do grupo experimental apresentaram melhora significativa da capacidade funcional, já os do grupo controle apresentaram uma deterioração da funcionalidade. (Smit,1991), submeteu 19 pacientes com lombalgia crônica a tratamento hidroterápico, desses, 14 relataram diminuição da dor e 16 aumento da mobilidade tóraco-lombar. (Langridge,1988), após 6 meses de intervenção, concluiu que, dos 27 pacientes do tratamento hidroterápico, 96% relataram aumento da qualidade de vida e 67% diminuição nos custos médicos, 85% relatou alívio da dor.


Reabsorção ou Regressão

    O estudo por imagem tem demonstrado que a história natural da hérnia pode indicar que, muitas vezes, ocorra processo de reabsorção que se segue ao processo inflamatório inicial, com o quadro neurológico e os sintomas da dor desaparecendo. Isso pode ser comprovado pelo exame de IRM ou TC em que, em uma primeira fase, apareça o disco extruso; em uma segunda fase, um halo de reabsorção e de processo inflamatório na periferia do fragmento e, por fim, o desaparecimento da imagem da hérnia discal (Hennemann,1994).

    Onze pacientes foram submetidos ao tratamento conservador por 25 meses, sendo avaliados antes e depois através do exame de TC. Todos obtiveram redução na hérnia de disco, sendo que os melhores resultados foram os das maiores hérnias (Saal, 1990). O autor não citou o tipo de tratamento.

    Em relação à tração passiva para a região lombar, 9 indivíduos com hérnia lombar póstero-lateral foram submetidos à 40 min. desta técnica, sendo avaliados e reavaliados após a 20a sessão. Seis pacientes apresentaram regressão da hérnia de disco, ou seja, 66% da amostra estudada (Onel,1989).

    Em outro estudo que envolveu 65 pacientes com hérnia de disco lombar, 21 pacientes foram tratados de forma conservadora, enquanto 44 sofreram cirurgia (herniotomia). Nos pacientes não-operados um exame de IRM foi realizado tanto no período de dor, quanto logo após a recuperação. A redução da hérnia foi avaliada de acordo com a diminuição no volume, calculado adicionalmente à retração da área hernial. No grupo operado, foram estudadas as IRMs realçadas pré-operatórias, tipo de hérnia e invasão do tecido de granulação nas amostras histológicas. Nos 21 pacientes não operados, foram detectados os seguintes valores no volume da hérnia com os respectivos dados calculados pela média e pelo desvio padrão: antes (0,488 cm3 e +/- 0,208 cm33) e depois (0,214 cm3 e +/- 0,181 cm33), sendo esta diminuição significativa em termos estatísticos (Kawaji, 2001).

    Ainda não estão esclarecidos os motivos pelos quais haja reabsorção do material exposto à hérnia. Sugere-se que quando o material nuclear é exposto ao compartimento vascular do espaço epidural e é separado do limite nutricional funcional, o processo de reabsorção se inicie, ou seja, quando o fragmento é separado do disco ocorra inibição da produção de proteoglicídeos hidrofílicos no disco, levando à dessecação. Isto porque as células do espaço epidural são estimuladas pela resposta inflamatória favorecendo, então, a fagocitose do núcleo pulposo exposto (Saal,1990).


Discussão

    A repercussão dos dados, referentes à incidência de indivíduos com hérnia discal lombar, tem levado o Brasil a colocar as lombalgias como a 3a causa de aposentadoria por invalidez, afligindo principalmente a população adulta economicamente ativa, como se o fato de aposentar tal indivíduo aliviasse o seu quadro clínico de dor. É preciso dar suporte para que este paciente melhore a qualidade de vida após seu afastamento laboral.

    Não foi encontrado nenhum artigo que abordasse a questão da prevenção ao desenvolvimento da hérnia de disco lombar uma vez que, dos 80% da população mundial que sofrem de lombalgia, 30 a 40% apresentam-na de forma assintomática.

    Embora a abordagem deste artigo tenha focalizado os aspectos negativos do sedentarismo e da excessiva permanência do indivíduo sentado por longas e longas horas como causa da hérnia de disco, entende-se também que se trata de uma síndrome multifatorial com outras causas, como: mecânicas, degenerativas, reumáticas, traumáticas, infecciosas, tumorais, viscerais e psicogênicas (Hennemann,1994).

    Quanto à sistematização do tratamento conservador mencionado por Hennemann (1994), fica claro o papel do Médico na Fase aguda, com prescrição de antiinflamatórios, etc, e a contribuição do Fisioterapeuta na Fase pós-aguda com métodos de calor, exercícios terapêuticos e etc. Mas, na Fase Tardia, não encontramos a citação do Professor de Educação Física, uma vez que a "manutenção da elasticidade e tônus muscular, associados aos cuidados posturais", devem ser de direito e domínio deste profissional.

    Igualmente, seria de fundamental importância que os laudos dos exames de imagem da TC e IRM apresentassem mensurações quantitativas das hérnias discais em milímetros (unidimensionais) ou cm33 (tridimensionais), como no estudo realizado por Kawaji, 2001. Tal estratégia, em muito facilitaria a comparação da extensão ou volume das hérnias entre os estágios de dor e reabilitação.

    Ainda não estão claras as razões do porquê o tratamento conservador para hérnia lombar ser tão indicado como eficiente, mas não conseguir constatação notória na mesma proporção nos exames de imagem, embora o exame clínico e a qualidade de vida destes indivíduos que a adquiriram se tornem muito mais relevantes.

    Quanto aos métodos de atividade física que foram aplicados, os exercícios não foram didaticamente mencionados com: posição inicial, execução e posição final. É preciso que tais técnicas sejam bem descritas para que os resultados de outros pesquisadores em diferentes amostras se confirmem de forma similar.


Conclusão

    O tratamento conservador tem obtido os melhores resultados nos indivíduos com hérnia discal lombar, embora nem todos os atingidos por esta patologia consigam constatação nos exames de imagem. O processo de reabsorção do núcleo pulposo ainda não está totalmente esclarecido, merecendo futuras investigações sobre o assunto.

    A atividade física tem colaborado no tratamento da hérnia de disco lombar, mas ainda não estão esclarecidos, quais são especificamente os melhores exercícios para cada etapa da crise de dor. O profissional de Educação Física deve atuar na fase de manutenção ou Fase Tardia, para que o indivíduo que adquiriu a hérnia mantenha-se ativo e evite reincidências das crises agudas de dor.


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Autores:

Elaine Cristine Barbosa Wetler*
Valdinar de A. Rocha Junior e**
Jônatas de França Barros***

Ginástica Laboral é para profissional de Educação Fisica ou Fisioterapeuta?

Posted: 20 Feb 2013 03:35 AM PST


ma das discussões que se apresentam recentemente versa sobre a atuação de Fisioterapeutas na área de Ginástica Laboral, que seria de responsabilidade do Profissional de Educação Física. Mas o que definiria a intervenção de um ou outro profissional na Ginástica Laboral? Segundo o Prof. Lamartine Pereira DaCosta, organizador do Atlas do Esporte no Brasil, os dois podem estar enganados ou os dois podem estar certos... Segundo ele - opinião compartilhada pelo Presidente do CONFEF, Jorge Steinhilber -, tudo se define na intervenção a que os profissionais estão se dedicando.

Gostaria apenas de ressaltar que causa certa estranheza a mim e talvez à população em geral ver fisioterapeutas ampliando sua abrangência profissional para áreas esportivas e recreacionais, a partir do mercado da Ginástica Laboral. Esta atitude coloca sua própria identidade profissional em risco, desde que a terapia está sendo abandonada em prol do desenvolvimento de atitudes comportamentais e preventivas. É possível que, ao se continuar esta tendência, o fisioterapeuta perca o nexo e delimitação de sua especialização. E se vale tudo para o fisioterapeuta, sua intervenção vai perder o seu valor. Esta linha de conta deriva também em um inevitável confronto com os especialistas da medicina do trabalho, atividade regulamentada em âmbito nacional e direcionada por acordos internacionais. Tal confrontação jamais houve com o médico do trabalho e o Profissional de Educação Física, porque historicamente eles têm trabalhado de modo complementar, analisa o Prof. Lamartine.

A E.F. procurou alguns Profissionais do setor e aponta que a tendência, assim como em todo setor de saúde, é a busca integrada de soluções, com papéis e intervenções bem definidos, garantindo que o foco de cada ação profissional não seja desvirtuado. Segundo o Prof. Edivaldo Farias (leia a entrevista, nesta edição), a questão vai além da multidisciplinaridade. O que todos os setores da saúde devem buscar é a interdisciplinaridade, já que, para oferecer uma solução completa e necessária para os problemas apresentados são multicausais.

Alguns afirmam que, por seu caráter profilático, a Ginástica Laboral foge completamente aos domínios do Fisioterapeuta. Assim como qualquer atividade curativa foge às raias do Profissional de Educação Física. Isto fica explícito claramente nas definições legais a respeito (leia box). Elas delimitam as intervenções de cada um destes dois setores da saúde.

Baseando-se exclusivamente nestes conceitos e em seus procedimentos éticos e legais, e apesar de qualquer resolução que possa ser divulgada pelos Conselhos em questão, o que realmente vale são as determinações das Leis Federais.

Como em diversas outras áreas (dança, ioga etc.), o entendimento do Presidente do CONFEF, Jorge Steinhilber, recai sobre a questão da intencionalidade. Cada profissional tem sua competência e sua função social. Definindo-se o propósito, define-se o profissional a ser procurado, afirma.

Saiba mais sobre a Periodontia e sua atuação

Posted: 20 Feb 2013 03:30 AM PST


A Periodontia é a área da Odontologia que trata as doenças da gengiva, visando a prevenção às doenças e, se estas já estiverem instaladas, devolver a saúde aos Pacientes. Inúmeras doenças podem ser agravadas pelas doenças da gengiva, como o Diabetes, problemas cardíacos, etc..

Gengiva saudável

A gengiva saudável é firme, cor de rosa coral, não sangra facilmente e cobre toda a raiz do dente. Os dentes estão bem presos e o osso de suporte e as fibras do ligamento (que unem o dente, a gengiva e o osso de suporte) estão saudáveis (Figura 1).

Gengiva saudável

Gengivite e Doença Periodontal

Sua gengiva sangra? O sangramento gengival é um indício importante, que indica que algo de errado provavelmente está acontecendo. Tanto a gengivite como a periodontite são doenças causadas pela presença da placa bacteriana no espaço entre o dente e a gengiva e são caracterizadas por vários sinais, dentre eles o sangramento. Ou seja, sempre que o sangramento gengival ocorrer, deve ser um sinal de alerta, e se ele permanecer ocorrendo, sua causa deve ser investigada e tratada em breve. Outro detalhe importante é que tanto a gengivite como a periodontite podem provocar a alteração no odor do hálito.

Gengivite

A gengivite é o estágio inicial dessa doença e quando não tratada pode evoluir para uma forma mais grave, que é a periodontite. Na gengivite, a placa bacteriana e o tártaro irritam a gengiva, que fica vermelha e inchada, podendo ocorrer sangramento quando tocada (Figura 2). Entretanto, o osso de suporte e as fibras do ligamento não sofreram nenhum dano.

Gengivite

Periodontite

Além dos sinais da gengivite, como o sangramento, na periodontite inicial, o principal sinal é o rompimento das fibras que unem a gengiva, o dente e o osso de suporte. Forma-se então a bolsa periodontal, ou seja, um espaço entre o dente e a gengiva, que significa a perda das estruturas ao redor do dente, como o osso de suporte e as fibras do ligamento (Figura 3).

Periodontite

Entretanto, se a periodontite não for tratada no estágio inicial, a bolsa ficará profunda e a gengiva afastada em relação ao dente (periodontite avançada). Se a perda óssea for muito grande, o dente ficará com mobilidade e, dependendo da quantidade de osso perdido, pode ser indicada a extração do dente (Figura 4).

Periodontite avançada

A prevenção e a conscientização do Paciente constituem o melhor método para evitar estas doenças. O controle mecânico diário da placa bacteriana, por meio de uma técnica correta de higiene bucal, com escova dentes, fio dental e escovas especiais para uma higiene avançada, quando necessárias, são suficientes para manter a gengiva e os dentes em condição de saúde e inclusive reverter os episódios de gengivite.

Tanto o tratamento da gengivite quanto o da doença periodontal requerem a motivação do paciente e técnicas corretas e adequadas de higiene bucal.

Tratar a periodontite significa basicamente diagnosticar e estabilizar a doença por meio de sessões de raspagem para remoção de tártaro, preferencialmente, sempre realizado por um especialista (periodontista). O controle de placa realizado pelo paciente, através de uma minuciosa higiene bucal, é essencial e tem fundamental importância no sucesso do tratamento da doença periodontal, e na manutenção dos resultados.

Em nossa clínica damos uma atenção toda especial para esta etapa, onde o paciente aprenderá a técnica de escovação correta, utilizando escovas totalmente adequadas ao seu caso. O paciente realmente terá a certeza que aprendeu a escovar corretamente os dentes, o que será demonstrado através do controle de placa que realizamos com corantes de placa bacteriana, que revelam como está a escovação do paciente.

Além disso, estudos comprovam que a presença da saburra lingual pode agravar e perpetuar a doença periodontal. Em nossa clínica, especializada no tratamento da Halitose, desenvolvemos produtos e técnicas específicas para a limpeza da língua.
Isso possibilitará promover uma técnica de limpeza da língua adequada a cada caso, possíbilitando o controle satisfatório da saburra lingual, o que será fundamental tanto no tratamento e controle da doença periodontal como também no da halitose.

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